Imobilizado e amortizações

Registar um bem duradouro, escolher a sua duração, passar a amortização anual, e dizer por que porta o bem entra no balanço: pago, oferecido ou herdado de antes.

2026-07-30

Um bem duradouro (um edifício, um sistema de som, uma viatura) perde valor com o tempo. Se não reconhecer esse desgaste, a linha «Imobilizado» do seu estado do património fica eternamente no seu preço de compra, e a sua igreja julga possuir o que já consumiu.

A amortização é a maneira contabilística de dizer: este bem serve-nos vários anos, deve pesar sobre vários anos.

Gasto ou imobilizado?

É a primeira pergunta, e resolve-se com dois critérios simples.

O bem…Então
Serve mais de um ano e custa acima do limiar da sua igrejaImobilizado, a amortizar
Consome-se no ano (consumíveis, manutenção)Gasto do exercício
Serve muito tempo mas custa pouco (uma cadeira, um microfone suplente)Gasto do exercício

Imobilizar um bem de 60 não traz nada e obriga-o a segui-lo durante cinco anos. Passar um edifício a gasto, pelo contrário, arruína duas contas de uma vez: a do ano da compra, e todas as seguintes que parecerão lisonjeiras.

Registar um bem

  1. Abra Finanças, depois Relatórios, secção Contabilidade, separador Imobilizado.
  2. Clique em Adicionar um imobilizado: designação, categoria, data de aquisição, valor, vida útil.
  3. Antes de validar, o ecrã diz-lhe o que esse bem pesará todos os anos sobre o seu resultado.
  4. Responda à pergunta «Como entra este bem no balanço?» (ver abaixo).

O ponto 3 é a informação que realmente conta: um projetor de 3 000 a 3 anos são 1 000 de gasto anual. É esse número que um conselho deve conhecer antes de comprar, não o preço.

Nota: a duração proposta por categoria (33 anos para um edifício, 3 anos para material informático) é um uso corrente, não uma regra. O seu contabilista pode reter outra conforme o uso real do bem. É por isso que o campo continua livre.

Por que porta o bem entra no balanço

Um mesmo bem pode chegar de quatro maneiras diferentes, e o lançamento não é o mesmo. O sistema faz portanto a pergunta em vez de adivinhar.

A sua respostaO que o sistema lança
Pagámo-lo aquiA compra tinha sido registada como despesa. O montante passa de gasto a ativo: a tesouraria não se mexe, só a imputação muda.
Já o tínhamosO bem é anterior à sua retoma. A sua contrapartida é o património de partida, nunca uma despesa deste ano.
Foi-nos oferecidoUm donativo em espécie: o bem entra no ativo sem que um euro saia da caixa, e a generosidade recebida aparece na demonstração de resultados.
Não lançar nada por agoraO bem junta-se sozinho ao registo. O balanço continuará a ignorá-lo, e o controlo de coerência lembrar-lho-á.

Atenção: «Já o tínhamos» pressupõe que a sua retoma do existente esteja declarada. Se ainda não estiver, faça-a primeiro a partir do separador Património, senão o lançamento não tem contrapartida onde se apoiar.

O que o ecrã lhe mostra

  • Valor de aquisição: o que pagou. Nunca se mexe, é uma informação a conservar.
  • Amortizações acumuladas: o que já foi reconhecido como desgastado.
  • Valor líquido: a diferença. É o que o seu parque vale realmente hoje, e é esse número que aparece no património.

Um bem comprado durante o ano só é amortizado a partir do seu mês de compra. Um sistema de som comprado em outubro só conta três meses no primeiro ano: contar um ano inteiro inflacionaria o gasto e falsearia a comparação com o exercício seguinte.

Passar a amortização anual

No fim do exercício, clique em Passar a amortização. Um lançamento datado de 31 de dezembro vai para o diário, o seu resultado do ano desce nessa medida, e o valor líquido do seu parque também.

Atenção: enquanto a amortização não for passada, o seu estado do património ignora o desgaste do ano e o seu resultado está sobreavaliado. O ecrã mostra o montante pendente a laranja por essa razão, e o controlo de coerência também o assinala.

O lançamento fica selado desde o registo: desfazê-lo exige um estorno. Passe portanto a amortização depois de verificar que todos os bens do ano estão no registo.

A ligação com o inventário

O módulo Inventário conhece o seu material; a contabilidade conhece o seu imobilizado. Os dois podem divergir em silêncio, cada um com razão sobre os seus próprios dados.

O ecrã assinala-lhe portanto os materiais do inventário acima do limiar que não figuram em nenhum imobilizado, e propõe imobilizá-los com um clique. O preço de compra e a data vêm do inventário e não são reintroduzidos: reintroduzi-los seria a ocasião de os contradizer.

A duração de amortização, essa, é-lhe pedida. Nenhum campo do inventário a contém: é uma decisão, e adivinhá-la produziria um balanço falso com ar de correto.

Nota: os materiais abaixo do limiar não são esquecidos. O ecrã diz-lhe quantos são e lembra que são um gasto do exercício, não um bem a amortizar.

Abater um bem do registo

Quando um bem é vendido, oferecido ou sucateado, clique em Abater. O sistema salda as contas: o imobilizado sai do ativo, a sua amortização acumulada desaparece com ele, e o que ainda não estava amortizado torna-se um gasto do exercício.

Nota: se vendeu o bem, registe o recebimento como uma receita ordinária. O abate não o contabiliza: lançá-lo nos dois sítios contá-lo-ia duas vezes.

Os erros frequentes

  • Imobilizar sem nunca passar a amortização. O balanço cresce todos os anos e nunca volta a descer.
  • Registar o valor atual estimado em vez do preço pago. O preço de compra é um facto verificável; uma estimativa não é, e tornará todas as suas amortizações discutíveis.
  • Imobilizar um bem já passado a gasto sem escolher «Pagámo-lo aqui». O montante seria contado duas vezes: uma como despesa, outra como ativo.
  • Esquecer de abater um bem sucateado. O seu ativo leva então um material que já não existe, e ninguém dá por isso antes de um inventário físico.

Saber mais

Todos os artigos de Finanças
Precisa de ajuda?
Respostas rápidas e suporte no seu idioma.
Central de ajuda